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Ética e Cidadania


Direção Defensiva

Nas linhas abaixo você encontrará informações que apesar de serem simples em teor, são valiosas em atitude. Este material reúne informações sobre como atuar defensivamente ao volante.

Dirigir defensivamente é ter atenção aos riscos em potencial e tomar decisões, num curto intervalo de tempo, sobre o que fazer quando esses riscos se tornam realidade.

Direção Defensiva compreende principalmente 3 itens:
- A engenharia de Trânsito
- O Policiamento e Regulamentações
- A Educação

Portanto está bem claro onde podemos mais especificamente interferir: na Educação, observando e corrigindo nosso próprio comportamento.

Pedestres
Os pedestres são o risco em potencial mais freqüente. Embora não seja comum encontrar-se um pedestre adulto atravessando a rua sem ligar para os carros, a verdade é que isto acontece.

Muito mais comum é a situação em que alguém sai do meio de dois carros estacionados e abre a porta de um deles. Não há como adivinhar que alguém - qualquer pessoa - vá sair da calçada e abrir a porta de um carro - qualquer carro. Suspeite, portanto, de tudo e de todos. Prepare-se para frear de repente e veja se há espaço para desviar o carro. Há também o pedestre que aguarda pacientemente pelo sinal de atravessar. Depois, um pouco antes de chegar à calçada do outro lado, quando o motorista distraído já se esqueceu dele, faz meia-volta e atravessa de novo correndo para apanhar a bolsa que esqueceu numa loja, no exato instante em que o sinal abre para o motorista. Ou então, o senhor idoso que deixa cair o jornal na rua e se abaixa para apanhá-lo bem à sua frente.

Crianças
Um dos maiores e mais freqüentes riscos potenciais é o representado pelas crianças que brincam na calçada. Não só elas não têm a menor idéia do perigo, como suas cabecinhas ainda não têm condições de pensar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Em conseqüência disso, toda a sua atenção está dedicada à bola que pula, ao velocípede que desce a ladeira como um raio, ou ao cachorrinho tão simpático que está do outro lado da rua. Tire o pé do acelerador e apóie-o sobre o freio, porque é bem possível que uma daquelas crianças encantadoras vá atravessar a rua à sua frente.

Para piorar o problema, os locais onde a garotada brinca são geralmente áreas residenciais, onde é grande o número de carros estacionados e você mal pode ver o que está se passando na calçada. Lembre-se de que há uma criança imprudente atrás de cada carro estacionado.

Bicicletas
Crianças em bicicletas e ciclistas estão sujeitos às mesmas regras do motorista. Porém, normalmente eles não se preocupam com isso: andam na contramão, ignoram a sinalização do trânsito e, muitas vezes, dirigem à noite sem qualquer luz ou farol. Para piorar, a velocidade da bicicleta é, em várias situações, igual à dos carros (pense no trânsito lento). Quando menos você espera, eles cortam a sua frente, ou derrapam e caem. Dê-lhes o maior espaço possível, e pé no freio!

Cruzamentos
Não basta perceber os riscos em potencial. É preciso se acostumar a procurá-los, onde quer que eles possam estar, como nos cruzamentos, por exemplo. Quando o sinal está verde, muitos motoristas seguem em frente, sem mesmo olhar para um dos lados - como se ninguém avançasse o sinal. Quando você se aproximar de um sinal verde, pense que na outra rua pode haver uma jovem mamãe com seus filhinhos levados fazendo tumulto no banco traseiro do seu automóvel, como acontece sempre; ela se vira para mandar que eles fiquem quietos, e não vê o sinal fechar... Ou uma linda garota/garoto no ponto de ônibus; será que o(a) motorista vai prestar atenção nela(e) ou no sinal de trânsito?

Ao se aproximar de um cruzamento, olhe para a esquerda e para a direita, observe o trânsito e principalmente os carros que também se aproximam do cruzamento. Veja se os outros estão reduzindo a velocidade quando a preferência for sua, porque se eles não pararem, você vai ter que parar. Depois que você estiver de pé, ao lado do seu carro, olhando o estrago, não vai adiantar muito dizer: "Eu estava certo".

Áreas Residenciais
Em áreas residenciais, onde muitos cruzamentos não são sinalizados, ou em algumas esquinas onde a sua visão é tapada por muros ou por carros estacionados, os cuidados devem ser ainda maiores. Reduza a velocidade até ter certeza de que pode passar.

Outro risco em potencial é representado pelos carros estacionados ao longo do meio-fio. Duas coisas podem acontecer: talvez ele saia de repente, ou então alguém abra uma porta, sem qualquer aviso. O único carro seguro é aquele que está vazio e bem estacionado. Portanto, ao passar olhe para a janela de trás de cada um deles e veja se há alguém ao volante. Se houver alguém, prepare-se para uma saída brusca ou para ver uma porta ser aberta de repente. Afaste-se o mais que puder e apóie o pé no freio - uma buzinada de leve não seria uma má idéia.

Espelhos
Muitos caminhões e caminhonetes têm a janela traseira pintada, e neste caso a saída é olhar para os espelhos retrovisores externos. Se alguém estiver ao volante, você verá o rosto no espelho.

Nunca deixe de observar os seus próprios espelhos - a cada 5 ou 6 segundos - e estar preparado para o louco do volante, para o maníaco da velocidade, o motorista que adora andar colado na traseira dos outros.

Este tipo de motorista, que chega como um raio, troca de pista e corta a sua frente, acaba fazendo com que você se passe por mais um dos que gostam de andar na cola dos outros. Alguns motoristas nunca percebem que estão correndo riscos, e quase sempre suas freadas deixam pedaços de pneu no chão, pois as "cantadas" são inevitáveis. Nunca ande colado com ele; procure afastar-se, pois caso contrário você sofrerá as conseqüências das freadas irresponsáveis por parte dele. Deixe-o passar, reduza a velocidade e prepare-se para frear; só acelere de novo quando ele estiver longe.

Doidões
A melhor forma de lidar com este tipo de motorista é trocar de pista e sair do caminho; porém, nem sempre isto pode ser feito. O trânsito pode estar muito movimentado, ou talvez você tenha tomado essa pista a fim de dobrar uma esquina duas ou três quadras mais adiante. Se isto acontecer, aumente a distância entre o seu carro e o da frente de maneira que, mesmo se o carro da frente tiver que parar de repente, você possa diminuir a velocidade mais devagar e, portanto, não estará se arriscando a confiar na capacidade e nos reflexos do motorista que vem atrás.

Velocidade nas pistas
Fique atento ainda ao limite de velocidade e às placas do lado direito da rua para saber o que há pela frente. Por exemplo: se houver uma placa dizendo que a pista ficará mais estreita à frente, observe imediatamente o movimento na pista ao seu lado e ajuste a velocidade para poder trocar de pista sem problemas, se for necessário. Uma placa informando sobre a existência de um sinal luminoso adiante é um aviso para que você reduza a velocidade. Pode ser que o sinal esteja aberto assim que você o vir, porém não há como saber por quanto tempo ainda ele ficará verde.

Quando você está na pista da direita, os riscos são maiores, e um deles poderá tornar-se realidade muito depressa, de forma que você não tenha tempo para parar. Em outras palavras, você terá que desviar o carro. Portanto, dirija de modo que a pista à sua esquerda nunca esteja impedida, permitindo uma saída.

Da mesma forma, quando você estiver na pista da esquerda nunca deixe que nenhum carro emparelhe com você na pista da direita, pois ele poderá ser forçado a se desviar.

Outra situação muito comum, mas que a maioria dos motoristas deixa passar despercebida, é quando o trânsito da pista ao lado tem a velocidade reduzida ou pára. Pergunte-se por quê. Pode ser que o carro da frente da fila tenha parado para virar à esquerda, ou tenha reduzido a velocidade numa curva, ou talvez tenha sido obrigado a esperar a travessia de um pedestre. Prepare-se para frear se o pedestre invisível surgir à sua frente.

Algumas vezes, um dos carros da outra pista está sendo dirigido por um motorista muito impaciente e, como a sua pista agora está andando mais rápido do que a dele, é bem provável que ele resolva trocar de pista. A regra básica para se mudar de pista é ajustar a velocidade à da pista para a qual se pretende ir, porém o motorista impaciente não sabe disso ou não quer saber. Prepare-se para remediar a situação assim que ele colocar o nariz do carro à sua frente.

Distância
Quando você parar o carro no trânsito, deixe sempre uma distância equivalente a um carro entre você e o carro da frente. É possível que algum carro à sua frente, na mesma pista, morra ou enguice, e assim você terá espaço para trocar de pista, sem ter que dar marcha à ré. Se você for obrigado a parar numa ladeira e o motorista do carro da frente não conseguir arrancar direito, a distância entre você e ele permitirá que o carro dele recue um pouco sem bater no seu pára-choque. A forma mais fácil de calcular a distância é lembrando o seguinte: o asfalto à sua frente desaparece sob o capô quando a distância entre você e o carro da frente é equivalente ao comprimento de um carro. Assim, procure parar num ponto em que você possa ver as rodas traseiras do carro da frente encostadas no chão.

Postura Pessimista
Seja sempre pessimista no trânsito. Nunca suponha que o outro motorista vai fazer tudo certo até que ele realmente faça tudo certo. Se você estiver aguardando ao lado de um sinal de parada obrigatória para virar à direita e perceber um carro se aproximando pela sua esquerda com a seta da direita ligada, é provável que ele vá virar à direita - mas nem sempre isso acontece. É possível que ele tenha acabado de trocar de pista e não tenha desligado a seta. Espere até que ele faça a curva ou não a faça - e só depois é que você deve fazer a sua.

Todo carro que pretende virar à esquerda tem que dar preferência ao trânsito em sentido contrário da rua em que está; porém, há maus motoristas, ou não há? Certos motoristas não têm boa noção de tempo e de espaço e podem pensar que têm muito tempo para virar antes da aproximação do outro carro, quando a verdade é bem outra. Ou então, suponha que ele esteja num carro de transmissão automática e o pé dele escape do freio. Não estou sugerindo que, tendo a preferência, você pare e dê passagem a ele; porém, você pode ser forçado a fazer isto, se o mesmo cometer um erro.

Uma boa providência nesses casos é olhar o outro motorista nos olhos. Se você conseguir, pelo menos saberá que ele o viu, e talvez você se surpreenda ao descobrir que a cortesia ainda não desapareceu das ruas. Se ao sair de uma ruazinha estreita para uma avenida movimentada, você conseguir olhar outro motorista nos olhos, o gesto de cabeça dele significará que você poderá entrar e que ele protegerá a sua entrada. Agradeça com um gesto de mão. Porém, se ele não olhar para os seus olhos, é sinal de que ele não o viu ou então não quer vê-lo. Se você entrar, vai acabar amassando o seu carro, pois a lei diz que a preferência é dele.

O uso dos Olhos
Nenhuma precaução adiantará muito, se você não aprender a usar os olhos. Como já foi dito, invariavelmente os acidentes acontecem porque aparece alguma pessoa que ninguém viu. Aplicando corretamente as técnicas de direção defensiva, você estará dando um grande passo; porém, falta aprender a ter uma visão de 360 graus a todo instante. Esteja atento a todos os outros motoristas e pedestres e a tudo que eles podem fazer e que possa resultar numa colisão em que você se veja envolvido. A visão de 360 graus pode parecer um exagero para você, mas com um pouco de prática, ela se tornará natural.

Antes de mais nada, uma advertência: não confie na sua visão periférica. A maioria das pessoas tem uma visão periférica (lateral) de quase 180 graus. Porém, o cérebro não registra nada dentro do alcance da visão periférica, a não ser que o objeto se movimente. Para que o cérebro registre a presença de algum objeto no campo da visão periférica sem que ele se mova, será preciso antes olhar diretamente para ele.

Você tem condições musculares para usar bem os olhos e, aprender a usá-los bem não é tão difícil assim. Não tente ver tudo de uma vez: faça com que os olhos se movimentem da esquerda para a direita, passando também pelo espelho. É evidente que a maior parte da sua capacidade visual terá que estar concentrada no que está à frente, porém, nunca grude a vista num único objeto. Mexa os olhos a cada 2 segundos a fim de registrar tudo o que é "percebido" com a visão periférica.

Dirigindo a noite
Como você deve saber, dirigir à noite é ainda mais arriscado, não pelo fato dos riscos serem maiores em quantidade, mas por serem mais difíceis de se perceber - imagine pedestres de roupas escuras ou ciclistas sem farol. Entretanto, dirigir à noite também tem suas vantagens, embora de forma alguma elas cheguem a compensar a falta de visibilidade.

Primeiro, o facho dos faróis no seu espelho retrovisor é um aviso imediato de que há um carro se aproximando por trás. Por isso não haverá a necessidade premente de consultar o espelho a todo momento, como é feito de dia.

Em segundo lugar, os fachos de luz que surgem nos cruzamentos da esquerda ou da direita são uma indicação de que há algum veículo se aproximando, isto bem antes de você chegar a vê-lo.

Em terceiro lugar, todas as placas de trânsito são pintadas com tinta reflexiva, de modo que as placas de parada obrigatória, de limite de velocidade e outras são mais visíveis à noite do que de dia.

 
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